Enquanto aqui estamos, amemos.
Hora de irmos
Olá, Visitantes.
Partimos quando tudo aquilo que sempre nos preencheu e satisfez perdeu seu encanto e se esvaeceu, se esboroou, se ensurdeceu, avolumando o vazio. Tudo aquilo que diuturna e ciclicamente nos energizava e plenificava,... Tudo aquilo que nos formou em sentimentos, esperanças, ardores, alegrias, dissabores,... Tudo aquilo que nos ensinou a gostar, amar, sorrir, chorar, querer, evitar,...
Partimos quando desvios do destino nos acometem em quaisquer sentidos e níveis, inexoravelmente nos adoecendo, nos limitando, antecipando etapas, nos impulsionando às aventuras e desventuras do desconhecido, nos direcionando a sendas opressivas, nos obrigando a nos reinventarmos deixando a zona de conforto que nos permite um amplo horizonte.
Partimos quando descobrimos entraves em nossa psiquê que, até então, estavam nublados e, assim, não conseguimos mais nos renovar ou, mesmo, acompanhar a dinâmica do que outrora nos vivificava; nem compreender as mudanças que o novo sempre traz; sequer aceitar e assimilar o que sempre nos foi tabu e teve suas amarras desatadas pelos que chegaram.
Partimos quando desilusões, enfados e ferrugens mentais, emocionais, morais e espirituais se tornam a tônica em nosso caminhar, criando assombrações arrastando correntes nos labirintos do coração. Quando as portas e janelas cerradas acumulam poeira em cada recôndito, criam mofo, vampirizam nossa luz, viciam nosso ar, apodrecem o tempo.
Partimos quando envelhecemos (independente da idade) e nos cansamos de ser, de estar, de existir; quando o frescor perde seu viço e as rugas do amargor e do pessimismo afloram; quando tudo aquilo que nos extasiava, trazendo exuberância e originalidade, nos alimentando o corpo, a mente e o espírito, se assume um pastiche, um pochade daquilo que deveria ser nossa Mona Lisa.
Partimos porque só nos é permitido estar. E, enquanto estivermos, o sentido da vida (aprender, produzir e compartilhar) urge.
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